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29 de agosto de 2025
[358] – A maior fraqueza da COP30
Por melhor que venha a ser um “Acordo de Belém”, ele não terá como deter o funesto aquecimento planetário.

Será que poderia ter sido evitada a decepção causada pelas negociações da ONU por um tratado contra a poluição dos plásticos? Teria sido possível um avanço desse calibre em contexto geopolítico tão adverso?

É uma dúvida atroz, que não deixa de rondar as expectativas sobre as promessas da COP30. Ainda mais, diante do desfalque imposto por um dos principais causadores do possível infortúnio: o governo da principal potência.

Porém, seria por demais precipitado supor que também esteja selado o insucesso desta trigésima conferência da Convenção do Clima, dada a situação internacional bastante desfavorável ao multilateralismo. A China e a Europa vão ajudar. E não há tanto determinismo na relação entre a conjuntura mundial e o desempenho da ONU.

Raros são os momentos históricos de quadro geopolítico propício a uma razoável governança mundial. O último parece ter sido o quase decênio 1992-2001, que separou o ataque às torres gêmeas do fim da Guerra Fria. Desde então, sucederam-se situações político-militares das mais inconvenientes.

Então, não é impossível que a COP30 venha a ter final feliz, em contraste à rodada de Genebra sobre a poluição plástica. Só que o problema é outro. Por melhor que venha a ser um “Acordo de Belém”, ele não terá como dourar a impotência da própria Convenção em deter o funesto aquecimento planetário. Esta é a sua maior fraqueza.

Mesmo que o balanço das próximas ‘contribuições nacionalmente determinadas’ (NDCs) pudesse ser altamente positivo, duas razões permitem afirmar que, ainda assim, seria bem minguado diante das consequências do aquecimento global, principalmente as de médio e longo prazos.

A primeira é simples. Para que fosse possível evitar o +1,5ºC de aumento da temperatura média, teria sido necessário descarbonizar em ritmo bem mais rápido do que sociedades e governos se mostram dispostos a admitir e praticar. A segunda é que o aquecimento vem se acelerando muito mais do que o previsto pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a origem da ambição de não ir além de +2ºC neste século.

Juntas, fazem com que sejam subestimadas – ou cinicamente menosprezadas – as consequências da firme ascensão da temperatura média global.

O pioneirismo em descarbonizar se concentrou em dois casos emblemáticos: o do setor elétrico do Reino Unido e o da indústria automotiva da Noruega. Foi a partir deles que se passou a incentivar imitações, mediante formas de “minilateralismo”. Esta foi a grande contribuição da COP26, de Glasgow, em 2021, a última com algum êxito.

Ainda não está disponível um bom balanço dessas iniciativas colaborativas impulsionadas pela “Breakthrough Agenda” e relatadas pela Agência Internacional de Energia (IEA). Faz muita falta, já que as estimativas disponíveis apontam para a necessidade de descarbonizar de quatro a seis vezes mais rápido.

A própria IEA, em seu relatório de 2021 – Net Zero by 2050 – havia adiantado a necessidade de descarbonizar quatro vezes mais rápido. Enquanto outras instituições apontavam para cinco a seis vezes. Por exemplo: o Climate Action Tracker, o Global Carbon Project e o relatório Emissions Gap Report, do Pnuma.

No entanto, mesmo tais recomendações parecem modestas diante de recentes contribuições científicas que procuram alertar para distorções nos relatórios do IPCC. Especialmente as da equipe liderada pelo grande climatologista James E. Hansen, na Columbia University.

Apontam três defeitos nos modelos usados pelo IPCC: a) superestimação do freio temporário ao aquecimento oferecido por ‘aerossóis’, partículas poluentes na atmosfera provenientes de fábricas, queima de carvão, incêndios e queimadas; b) superestimação dos prazos de alguns ‘feedbacks’, como o derretimento do gelo e a liberação de metano do permafrost; c) subestimação da ‘sensibilidade climática’: para cada grama de carbono emitido, a elevação de temperatura será mais alta.

Nada disso se compara, contudo, à dificuldade objetiva de se vislumbrar quais prejuízos serão causados, neste século, por um aquecimento global que tende a ultrapassar os tão venerados +2ºC.

Já não pode haver a mínima dúvida sobre os aumentos de frequência e intensidade dos eventos extremos, pois só não nota quem não quer. Talvez valha lembrar que, nos últimos vinte anos, aumentou em 40% o número de pessoas ameaçadas por fogo.

Todavia, o que as evidências permitem supor é que bem mais nefastas serão a multiplicação e a expansão de áreas inabitáveis. Cada vez mais e maiores manchas regionais proibitivas a muitas formas de vida, com destaque para as humanas.

Como tal adversidade não impede que os negócios continuem a prosperar em outras bandas, boa parte das elites prefere dar de ombros. Ótima evidência surgiu no relatório do departamento de Energia dos EUA publicado no último 23 de julho. Ele enfatiza que “o aquecimento induzido pelo CO2 pode ser economicamente menos prejudicial do que se pensa normalmente”. Afinal, o amanhã dos negócios não depende, mesmo, de mais saúde e bem-estar.

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