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31 de outubro de 2025
[360] – A COP30 será a melhor?
Até existiriam vários caminhos para isso, mas todos dependentes de iniciativas que não estão em pauta.

Mesmo que em vão, só se pode torcer para que a trigésima seja, sim, fenomenal. Até existiriam vários caminhos para que isto pudesse acontecer, embora difíceis e improváveis. Todos dependentes de iniciativas que não estão em pauta.

A COP30 seria a melhor se, porventura, pudesse parir uma revisão da própria Convenção do Clima (1992) e de seus dois filhotes: o mísero Protocolo de Quioto (1997) e o morno Acordo de Paris (2015). Sem profunda mudança deste trio institucional, muitas partes do globo não demorarão para ter um clima insuportável.

É irrisório o saldo do multilateralismo climático resultante de tão deplorável arranjo. Acaba de ser registrado um recorde da concentração de dióxido de carbono na atmosfera. Em 2024 – com mais 3,5 partes por milhão – ela ficou 152% maior que o nível pré-industrial. E vai piorar demais com os já contratados 500 bilhões de toneladas, como exibe detalhadamente o novo site carbonbombs.org.

Para que outro arranjo institucional começasse a virar o jogo, seria imprescindível identificar muito bem o que favoreceu as melhores práticas na direção inversa. Com o objetivo de multiplicá-las, ao mesmo tempo em que fossem corrigidos os muitos erros, ilusões – e mesmo fraudes – que pulularam nesses 33 anos de vigência da Convenção.

Como constituiria um trabalho gigantesco, que certamente demandaria muito mais tempo do que o habitual intervalo entre duas COPs, seria inevitável que tal responsabilidade viesse a ser delegada a alguma estrutura com a missão de propor a nova versão da UNFCC à Assembleia Geral da ONU.

Todavia, estão longe de terem surgido as condições para tamanha ruptura com a imensa inércia do regime climático. Ao contrário, o escandaloso atraso na apresentação dos compromissos (NDCs) e o medíocre envolvimento dos governos nos preparativos à COP de Belém, sugerem que a comunidade internacional esteja preferindo surfar no péssimo contexto geopolítico.

Mesmo assim, será que existiriam outras maneiras de fazer da COP30 a melhor de todas? Pela aprovação de metas mais ambiciosas, que continuariam a não ser cumpridas? Por promessa de ótimos financiamentos à adoção de energias renováveis? Por consistente estratégia de adaptação ao alargamento das áreas inabitáveis?

A rigor, talvez bastasse ainda menos. Se surgisse um ‘Acordo de Belém’ que realmente estimulasse a adoção de renováveis em setores como os da indústria pesada de alta temperatura, da petroquímica, do transporte aéreo ou da navegação em alto-mar, com certeza o objetivo seria atingido.

O problema é que, na prática, tais proezas estão todas fora de cogitação. Mais realista, por enquanto, é torcer para que mais países imitem a China, se possível com a rapidez que ela ultrapassou o Reino Unido e a Noruega. Pois tudo indica que – por um bom tempo – descarbonizar permaneça algo restrito ao âmbito da eletricidade.

Outro caminho para tornar a COP30 a melhor de todas seria – é claro – o do afastamento dos combustíveis fósseis. Só que esta saída depende muito mais das perspectivas temporais de rentabilidade do petróleo, do que de manobras que fossem capazes de criar algum consenso multilateral.

Isto sugere que um imenso sucesso da COP30 poderia decorrer de mero anúncio de renúncia às energias fósseis, mesmo que fosse para inglês ver. Países dos mais reticentes a tal tipo de restrição – liderados pela Arábia Saudita – poderiam dar imensa ajuda para que o Brasil realizasse a melhor COP se aceitassem alguma diretriz favorável ao tal distanciamento, sem que envolvesse punições e outras dificuldades para a manutenção dos altíssimos lucros obtidos pelos negócios petrolíferos.

Não se sabe até quando a exploração dos combustíveis fósseis poderá permanecer muito rentável. Acredita-se que isto seria possível, ao menos, até meados do século. Então, a dúvida passa a ser acerca da possibilidade de surgimento, nas próximas décadas, de alguma inovação radical que descarbonize, alterando bastante as atuais vantagens dos mais poluidores.

A única hipótese razoável aponta para a fusão nuclear controlada (FNC), tema desta coluna, sob o título “Como descarbonizar?” (28/2/25). E a relevante novidade é o relatório “World Fusion Outlook 2025”, da IAEA (International Atomic Energy Agency), que teve grande apoio do Japão e destacou o ponto de vista de Shan Zhongde, principal autoridade chinesa em energia atômica.

O documento diz que a FNC já está rumando para uma fase de implementação, depois de longa investigação experimental. Com forte adesão de capitais privados, são mais de 160 os dispositivos em operação ou construção. Incluindo plantas-piloto de demonstração e instalações de maior escala, que preparam a implantação industrial.

Porém, é impossível saber quando a atual matriz energética mundial começará a ser sacudida pela FNC. Também é cedo demais para vislumbrar quais serão os maiores impactos de seu casamento com a Inteligência Artificial. Parece claro, contudo, que só virá desta dupla de inovações o início da decadência das energias fósseis.

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