ALIMENTAÇÃO E CUSTO DE VIDA1
Artigo
originalmente publicado em Informações
Fipe, nº 160, de Janeiro/94. Para esta versão, alguns dados foram
atualizados até Março/94
José
Eli da Veiga2
Os preços reais dos alimentos têm aumentado ou diminuído? Esta é uma
pergunta que não deveria aceitar mais de uma resposta,
mesmo que provocasse muito debate acerca das razões das alterações
verificadas nos preços relativos. Porém, tanto as longas fases de aceleração
inflacionária, quanto os curtos períodos de congelamento, repercutiram de
forma heterogênea sobre os vários índices, dando margem a dúvidas sobre a próprio
movimento real dos preços, e não apenas sobre a interpretação de suas
causas.
A
carestia dos anos 80
Em artigos publicados há quatro anos, procurei mostrar que o mais antigo
índice de preços ao consumidor - IPC/FIPE - registra
não só uma persistente tendência altista do custo da alimentação,
como uma intensificação do fenômeno durante dos anos 80 (3).
Uma boa aproximação encontra-se na tabela 1. Ela mostra que essa intensificação
começou em 1983, e que os períodos 1985/86
e 1988/89 foram os de mais forte carestia alimentar.
Tal constatação não podia deixar de ser embaraçosa, pois era sabido
que os preços agrícolas haviam sofrido forte queda nos anos 80, e nada
autorizava pensar que essa tendência tivesse deixado de ser repassada aos
consumidores. Acontece, porém, que a queda dos preços agrícolas não foi tão
significativa quanto levava a crer o imprudente uso do IGP/FGV como deflator. Na
verdade, esse índice mostrou-se muito inadequado com a aceleração inflacionária,
a partir do início dos anos 80. Sua elevação passou a ser tão rápida, que
qualquer preço nominal deflacionado por ele acusaria queda em termos reais.
Entre 1983 e 1989, o IGP/FGV cresceu 9.151 vezes, enquanto o IPC/FIPE crescia
5.155 vezes. Acontece que o IPC/FIPE havia sido sempre superior ao IGP/FGV de
1944 a 1982 (4).
Não se chega a conclusão diferente quando se compara o IGP ao IPC-RJ,
ambos da FGV. A tabela 2 mostra a evolução dos preços agrícolas no período
1966/88, deflacionados pelos dois índices. Entre 1980 e 1988 essa queda teria
sido de 34%, pelo IGP, mas de 26% pelo IPC-RJ. Se a referência for 1986, o IGP
sugere queda de 5%, enquanto o IPC/RJ aponta alta de 8%. Note-se, também, a
discrepância dos índices médios dos períodos 1967/77 e 1978/88. No período
ascendente, os dois índices levam a uma única conclusão. Já no período
seguinte, quando a inflação se acelerou, o IGP passou a exagerar as oscilações,
e acusou estabilização. Já o IPC/RJ sugere razoável elevação no segundo
período. Conclusão semelhante a que obtive por meio da atualização do Índice
de Preços Recebidos do IEA/SAA-SP pelo IPC/FIPE: elevação de 1983 a 1986
seguida de uma queda muito mais branda do que poderia levar a pensar o uso acrítico
do IGP (5).
Ou seja, a constatada carestia alimentar dos anos 80 não era tão
contraditória com o movimento dos preços agrícolas, uma vez que as quedas
ocorreram em 1981/82 e 1987/88, mas no período intermediário 1983/86 esses preços
se mantiveram ao nível de 1980. Ao mesmo tempo, a elevação relativa dos preços
alimentares ao consumidor pode ter sido "ajudada" pelos controles
exercidos, naquele período, sobre outros preços, como aluguel, transportes
urbanos e educação (6).
Os
anos 90
Durante os congelamentos do início do governo Collor houve forte diminuição
do custo real da alimentação, como mostra a tabela 3. No entanto, após esse
último período de choques, alternaram-se fases
de elevação e de queda, que correspondem, respectivamente, ao segundo e
ao primeiro semestres de cada ano. Assim, após o significativo barateamento do
período Março-90 a Junho-91, não houve tendência inequívoca de alta, ou de
baixa (tabela 4). Este ano, o plano FHC e a quebra de safra do feijão em Irecê
estão prolongando a fase ascendente do segundo semestre de 1993.
Também não é possível atribuir as variações dos preços alimentares
ao comportamento deste ou daquele grupo de produtos. Em agosto de 92, por
exemplo, houve fortes altas (de mais de 20% acima da média ponderada) tanto dos
alimentos "in natura" (peixes, ovos, frutas, legumes, verduras, etc),
quanto dos "semi-elaborados" (carnes, aves, leite, cereais). No mês
seguinte só os "semi-elaborados" mantiveram esse impulso. Em Janeiro
de 93 foram os "in natura" que voltaram a subir bastante, desta vez
acompanhados por razoáveis altas dos "industrializados" (8%)
e da "alimentação fora do domicílio" (6%). Em maio de 93 a
forte queda dos preços alimentares foi puxada pelos "in natura" (12%
abaixo da média ponderada). Mas, no mês seguinte, essa baixa só se manteve
devido o barateamento da
"alimentação fora do domicílio" (-9%) e dos
"industrializados" (-5%). No máximo pode-se dizer que as oscilações
dos "in natura" são mais frequentes. Mas seu peso na ponderação da
"alimentação" era diminuto: 18%, contra 36% dos
"industrializados" e 33% dos "semi-elaborados".
Por seu lado, os principais preços agropecuários andaram subindo
bastante ultimamente. Nem tanto o do milho, cuja cotação, em dólar, de meados
dezembro, indicava alta de 40%. Mas, sobretudo, o do feijão, cujos 50 dólares
por saca correspondiam a um aumento real de quase 120% em 24 meses (tabela 5).
Ou seja, nos quatro primeiros anos desta década, o custo da alimentação
tendeu a se estabilizar a um nível 11% superior ao de 1980, depois desse
patamar ter sido ultrapassado por seis anos na década passada (1983/86 e
1988/89). E, de novo, não se tratou de um simples "repasse" do
movimento geral dos preços agrícolas.
Interpretações
Longa experiência no levantamento diário de preços em 70 supermercados
da capital levou a Profª. Cornélia N. Porto a procurar as razões das alterações
verificadas nos preços relativos em 1992. Sua primeira hipótese foi o custo de
produção. Mas a dispersão dos aumentos de alguns derivados do leite, ou do
trigo, logo mostrou que essa não era uma explicação razoável. A segunda hipótese
foi o grau de monopólio. Mas o comportamento dos preços dos segmentos
oligopolizados (leite-em-pó, café) mostrou-se semelhante ao dos setores mais
competitivos (arroz, cebola). A terceira hipótese foi o comportamento da
demanda. A queda do poder aquisitivo teria levado os consumidores a substituírem
alguns ítens por produtos mais baratos. Como justificar, entretanto, o
comportamento do preço do leite-em-pó frente ao do queijo, ou mesmo da linguiça
em relação à carne de 2ª e ao frango ? Por não ter podido verificar
qualquer das três hipóteses, a autora concluíu que a única explicação
possível está na enorme desorganização da economia causada pelas
altas taxas inflacionárias (Porto,1993).
É bem provável que se chegue a conclusão semelhante se for feita
investigação sistemática sobre a relação dos preços alimentares e dos preços
agrícolas. Todavia, pesquisa
realizada pelos prof.s Geraldo Sant'Ana Camargo Barros e João Gomes Martines
Filho, ambos da ESALQ/USP, mostrou haver forte influência dos preços agrícolas
na formação de certos preços alimentares. Na relação direta Produção-Varejo,
um aumento de 10% do arroz tem efeito de 4% no supermercado. Para Milho-fubá
esse efeito é de 6 ou 7%. Na relação Produção/atacado, o mesmo aumento de
10% tem efeitos imediatos que chegam a quase 25% (caso da batata) e efeitos
totais (defasados, 2 meses) que chegam bem perto dos 10% (para feijão, batata,
cebola e soja-óleo de MG.) (Barros & Martines Fº, 1990)
Em sociedades mais desenvolvidas o peso dos produtos agrícolas na formação
dos preços alimentares parece ser bem menor. Uma análise mais abrangente,
feita nos Estados Unidos, mostrou que a queda dos preços dos grãos tem uma
influência ínfima nos preços das carnes, por exemplo. Uma queda de 10% nos
preços dos grãos gera uma redução de apenas 1% nos preços de alimentos
processados e de 2,3% nos preços dos não processados (6)
Estas rápidas observações são suficientes para que se perceba que as
variações desse imenso conjunto de preços alimentares que entram na composição
do índice de custo de vida não podem ser vistas como simples reflexos das
variações dos preços agrícolas. O que se pode admitir, talvez, é que as
tendências mais marcantes estejam relacionadas a grandes alterações na oferta
e no consumo de alimentos. A tabela 6 mostra a evolução da disponibilidade per
capita de alimentos entre 1980 e 1992. A disponibilidade calórica nunca mais
voltou ao nível de 1980. E a proteica só o fez em 1991 (7).
Por outro lado, os sinais de retração do consumo têm sido tão
frequentes, que alguns
especialistas chegam a afirmar que "a atual crise alimentar é socialmente
ampla, atingindo as diversas classes de renda e influenciando o comércio de
alimentos, não se limitando mais apenas aos ítens básicos da alimentação"(8).
Infelizmente não se dispõe de dados muito confiáveis sobre a evolução
do consumo de alimentos. Segundo a APAS, Associação Paulista de Supermercados,
teriam ocorrido quedas brutais nos últimos dois anos e meio. Mas seus
levantamentos são muito precários. Já índice da Federação do Comércio do
Estado de São Paulo (FCESP) acusa quedas de vendas superiores a 25% nos açougues,
um pouco menores nas feiras, e pequenas elevações, da ordem de 2 ou 3%, nos
supermercados. Pode se tratar, portanto, mais de uma alteração dos hábitos de
compras, do que redução do consumo global. De um lado, o conhecido
deslocamento dos calóricos para os proteicos. De outro, significativa substituição
dos açougues e feiras pelos supermercados nas compras de carnes e
hortifrutigranjeiros. Prova disso é que o índice global costuma registrar ínfimas
variações, quase sempre positivas. De resto, a indústria alimentar cresceu
mais de 4% em 1993, conforme dados da ABIA (Associação Brasileira da Indústria
Alimentar).
Em resumo, parece razoável trabalhar com a hipótese de que existe forte
ligação entre os movimentos do custo da alimentação e esse balanço global
entre disponibilidade e consumo de alimentos. Tanto o barateamento ocorrido
entre março-90 e junho-91, quanto a oscilação mais amena do preço da comida
registrada a partir de então, refletiriam a estagnação do consumo. Isso não
quer dizer, então, que o problema da carestia alimentar esteja definitivamente
afastado, como mostram as tabelas 1 e 4.
Tampouco quer dizer que tudo possa ser reduzido a uma simples relação
entre os preços de alguns "produtos básicos" e a evolução do salário
mínimo, como quer meu amigo Graziano (1993). O consumo alimentar não se resume
à cesta básica, e está longe de ser determinado pelo salário mínimo.
Trata-se, a meu ver, de um engano, que pode ter consequências muito sérias em
termos de política econômica.
As conclusões de Graziano levam â construção de um cenário otimista.
Não existe problema do lado da oferta. Trata-se apenas de um problema de salário,
mais especificamente de recuperação do poder aquisitivo do salário mínimo.
Minhas ponderações levam, ao contrário, a um cenário pessimista. Quando a óbvia
necessidade de aumentar os salários se tornar factível, teremos retomada da
carestia alimentar, pois a oferta de alimentos continua muito apertada,
"empatando" com uma demanda fortemente reprimida.
No fundo, o que nos separa é a avaliação da chamada "modernização
conservadora". A meu ver, dela resultou um sistema agroalimentar
subdesenvolvido. Mas, torço para que o equívoco seja meu, pois será bem mais
simples aumentar o salário mínimo do que corrigir as distorções de nosso
incipiente agribusiness.
TABELA 1 - ÍNDICES DE PREÇOS RELATIVOS DOS ALIMENTOS, 1980-1993
|
|
IPC/FIPE
ÍNDICE GERAL (a)
|
ALIMENTAÇÃO (b)
|
(b)-(a) x 100 (a)
|
|
DEZ-80 |
100 |
100 |
0.00 |
|
DEZ-81 |
191 |
184 |
‑3.66 |
|
DEZ-82 |
371 |
355 |
‑4.31 |
|
DEZ-83 |
981 |
1 113 |
13.46 |
|
DEZ-84 |
2 732 |
3 082 |
12.81 |
|
DEZ-85 |
8 968 |
11 113 |
23.92 |
|
DEZ-86 |
15 074 |
17 588 |
16.68 |
|
DEZ-87 |
70 415 |
73 981 |
5.06 |
|
DEZ-88 |
698 288 |
853 735 |
22.26 |
|
DEZ-89 |
12 121 212 |
15 290 520 |
26.15 |
|
DEZ-90 |
210 787 879 |
231 804 281 |
9.97 |
|
DEZ-91 |
1 177 575 758 |
1 312 844 037 |
11.49 |
|
DEZ-92 |
14 477 090 909 |
16 271 712 538 |
12.40 |
|
DEZ-93 |
375 098 727 757 |
417 977 200 734 |
11,43 |
Fonte:
FIPE
TABELA 2 - INDICE DE PREÇOS AGRÍCOLAS REAIS AO PRODUTOR, 1966/88
|
|
Deflacionado pelo IGP |
Deflacionado pelo IPC-RJ |
|
1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 |
100 97 87 101 100 108 114 143 150 146 170 163 150 146 147 127 111 131 127 127 139 94 97 |
100 95 87 99 97 105 111 143 150 145 168 161 147 145 160 133 122 151 158 157 173 114 118 |
|
Médias |
pelo IGP |
pelo IPC-RJ |
|
1967/77 1978/88 |
125,4 126,9 |
123,7 143,5 |
Fonte: Gabriel S.P.da Silva (1991)
TABELA 3 - VARIAÇÕES PERCENTUAIS DO INDICE DE PREÇOS AO
CONSUMIDOR "CUSTO DE VIDA" NOMUNICÍPIO DE SÃO PAULO - CLASSE DE
RENDA MODAL Março de 1990 a Junho de 1991
|
Períodos |
Alimentação (a) |
IPC (b) |
(a)-(b) x 100 (b)
|
|
MAR91/MAR90 (12m) |
335.77 |
412.61 |
- 18.6 |
|
JUN91/MAR91 (03m) |
21.73 |
24.45 |
- 11.1 |
Fonte: FIPE
TABELA 4 - VARIAÇÕES PERCENTUAIS DO INDICE DE PREÇOS AO
CONSUMIDOR "CUSTO DE VIDA" NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO - CLASSE DE
RENDA MODAL Julho
de 1991 a Dezembro de 1993
|
Períodos
de 6 meses |
Alimentação (a) |
IPC (b) |
(a)-(b) x 100 (b)
|
|
JAN92/JUL91 |
238.73 |
223.81 |
+ 6.7 |
|
JUL92/JAN92 |
213.65 |
230.03 |
- 7.1 |
|
JAN93/JUL92 |
303.00 |
277.05 |
+ 9.4 |
|
JUL93/JAN93 |
320.42 |
344.75 |
- 7.1 |
|
JAN94/JUL93 |
570,59 |
541,46 |
+ 5,4 |
Fonte:
FIPE
TABELA 5 - EVOLUÇÃO DOS PRINCIPAIS PREÇOS AGROPECUÁRIOS,
1992/1993
(em US dólares)
|
|
Cotação US$ |
Variação |
em: |
|
Produtos |
14-DEZ-93 |
12 meses |
24 meses |
|
Milho
(60 kg) |
9,33 |
+0,3% |
+42,0% |
|
Soja
(60 kg) |
15,00 |
+39,8% |
+78,7% |
|
Feijão
(60 kg) |
48,14 |
+158,6% |
+116,4% |
|
Boi
gordo (arroba) |
26,66 |
+20,3% |
+46,5% |
Fonte: Carta Política, ano III, nº 50, 20/26 DEZ 93
TABELA 6 - DISPONIBILIDADE PER CAPITA DE CALORIAS E PROTEÍNAS,
(1980-1988)
|
Anos |
Calorias (Kcal/dia) |
índice |
Proteínas (g/dia) |
índice |
|
1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 |
2 558 2 350 2 414 2 143 2 324 2 237 2 373 2 377 2 325 2 396 2 168 2 496 2 405 |
100
92 94 84 91 87 93 93 91 94 85 98 94 |
56 53 54 45 52 50 53 54 52 53 50 58 54 |
100 95 96 80 93 89 95 96 93 95 89 104 96 |
Fonte: Flavio C.de Carvalho (1993)
REFERÊNCIAS
BARROS, Geraldo Sant'Ana
Camargo de & João Gomes Martines Filho (1990)"Transmissão de preços
e margens de comercialização de produtos agrícolas", in: Agricultura e Políticas Públicas,
Brasília, série IPEA nº 127, (Orgs: G.C.Delgado, J.G.Gasques e C.M Villa
Verde)
CARVALHO, Flávio. C. de
& S.M. Freitas (1988) "Quantificação da disponibilidade de
alimentos", Agricultura
em São Paulo, vol.35, tomo único.
CARVALHO, Flávio C. de
(1993) "Disponibilidade de calorias e proteínas no Brasil: uma reavaliação
das estatísticas para a década de oitenta", S.Paulo: IEA/SAA-SP,
40p.(trabalho em fase de conclusão)
GRAZIANO da Silva, José
(1993) "Distribuição de Renda, Preços dos Alimentos e Padrão de
Desenvolvimento Agrícola", Conjuntura Alimentos, v.5, nº 2, junho, pp: 38.44.
PELIANO,Ana.(coord) (1993) O
Mapa da Fome: subsídios à formulação de uma política de segurança
alimentar, Brasília: IPEA
PORTO, Cornélia Nogueira
(1993) "A Bússola Pirou", Informações
FIPE, 150, março/93, pp: 9-11
SILVA. Gabriel Seraphico
Peixoto da (1991) "Transforming Brazilian Agriculture, Anais do XXIX Congresso de
Economia e Sociologia Rural, SOBER, Campinas, 28-07/01-08,1991, pp:
254-278
SOUZA, Marcos Ferreira de
(1987) "Texto Introdutório aos Índices de Preços", Estatísticas Históricas do
Brasil, Rio de Janeiro: IBGE, pp:144-150.
USDA (1993) "How Do Food Prices Follow Grain Prices?", Agricultural
Outlook, (194) Março de 1993, p. 26
1.
Artigo originalmente publicado em Informações
Fipe, nº 160, de Janeiro/94. Para esta versão, alguns
dados foram atualizados até Março/94
(2.)
Professor Associado do Departamento de Economia e orientador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental
(PROCAM), ambos da Universidade de São Paulo.
(3.)
"Uma boa aferição do desenvolvimento pode ser o preço da
comida",Gazeta
Mercantil,28SET89; "Não há ´jeitinho´ que distribua
renda",Gazeta Mercantil 11DEZ89; "Para os gêneros alimentícios
o raciocínio deve ser diferente",Gazeta Mercantil,26JAN90;
"A inflação da sopa", Informações
FIPE,JUL90; "Custos de produção e preços de
alimentos", Jornal do Comércio,13AGO90;
"Na contramão",Folha
de S.Paulo,15NOV90, "Os insumos agrícolas e a carestia
alimentar",Folha de S.Paulo,22JAN91;
"Salto de qualidade",Folha
de S.Paulo,03ABR91; "Calcanhar-de-Aquiles",Folha
de S.Paulo,11JUN91; "O que segura o fordismo",Folha
de S.Paulo,29JUN91.
(4.)
Cf. "O índice furado", Folha
de São Paulo 21FEV91, p.B-2. Se, mesmo assim, restar dúvida sobre
a precariedade do IGP/FGV, aconselho vivamente consulta ao trabalho de
Marcos Ferreira de Souza (1987).
(5.)
Cf. "Os insumos agrícolas e a carestia alimentar",
Folha
de São Paulo, 22JAN93, p. B-2.
(6.)
Esta observação foi feita recentemente pelo Prof. Fernando Homem de Mello,
em diálogo com o autor. Mas o fato não seria suficiente para explicar a
alta relativa dos preços alimentares, uma vez que, juntos, aluguel, transportes
urbanos e educação pesavam apenas 15,6% na ponderação do índice geral,
enquanto a alimentação pesava 37,7%.
(7.)
Os dados da FAO sobre o Brasil apontam para uma disponibilidade calórica de
2730 Kcal, acima, portanto, dos dados apresentados na tabela 6 e das
recomendações mínimas internacionais: 2242 Kcal/dia e 53 g/dia. Mas é
preciso lembrar que o consumo per capita brasileiro, em 1992, situou-se
muito abaixo do consumo considerado ideal por aquela instituição. Foi de
apenas 41% para a mandioca, 43% para o feijão e o frango, 45% para o leite,
56% para o arroz, e 74% para a carne suína. E não se pode levar a sério a
afirmação de que, nos últimos sete anos, estiveram disponíveis 3280
Kcal/dia e 87 gramas (Peliano,1993, apud Graziano,1993).
(8.)
Cf. "Panorama", Confuntura Alimentos,
v.4, nº4, dezembro/92, p.10.